Mostrando postagens com marcador Indústria da cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Indústria da cultura. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de maio de 2012

O patrocínio do Brasil

foto  gl
A questão poderia ser como fazer para estimular as empresas patrocinadoras a optar pelo conteúdo nacional com prioridade, vemos o Estado patrocinando o conteúdo nacional e as empresas privadas o conteúdo importado, exceção recente é para o Banco do Brasil que decidiu patrocinar Eric Clapton e Madonna…. Nessa situação faltam meios para o conteúdo nacional se afirmar e se reproduzir em seu próprio mercado uma vez que a política vigente não atua de modo a conceder-lhe prioridade. Não é o patrocínio que faz a arte nem a cultura, entendido como um meio ao que tem servido no Brasil? Qual o balanço?  Temos construído um ambiente com a presença hegemônica do conteúdo importado em todos os segmentos, nossos meios estão disponíveis para isso e a tendência é a valorização intensa desse conteúdo. O que fazer? Primeiro temos que saber se queremos que seja assim mesmo. Parece que sim, damos o mesmo subsídio fiscal para o importado ou para o nacional por exemplo. Os megaprojetos estruturantes da subjetividade são francamente de valorização do importado. Há na ponta da produção uma crescente vulgarização do conteúdo nacional, nossa expressão cultural tem ênfase equivocada com a difusão em escala da produção mais vulgar, rompendo com uma linha evolutiva que garantiu nossa presença e caráter global. O que vamos fazer para afirmar a produção do nosso conteúdo na competição global? Não temos ainda isso definido, temos perdido tempo, estamos entregues a um projeto hegemônico competente e poderoso e não temos tido crítica suficiente para enfrentá-lo e impor nossa presença original. Patrocínio é um meio, o problema não é ele mas onde ele atua e se reproduz. E porque.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Tá tudo dominado...


Mas o que leva alguém a supor que ainda há mundo a ser dominado? Já está dito: tá tudo dominado.
Coube ao nosso sociólogo Hermano Vianna em sua coluna no Globo desta sexta feira, especular sobre pressupostos da ação legislativa americana e criticar o avanço dos controles associados à Nova Cultura como imbecilidades e fragilidades face a uma ameaça de dominação do mundo. Seria preocupação com o que acontece lá? Bem longe daqui.
Coube também duvidar dos números da pirataria, de lá. Fala do desemprego americano e cita frases de Neil Young, Julian Sanchez (?), Nat Torlington (?), Mike  Loukides (?) e Thomas Jefferson. É pretensão científica típica daqui citar grandes conhecimentos com o que se passa por lá para angariar prestígio por cá. A mistificação passa pelo uso de fontes desconhecidas que esclarecem a ignorância do leitor e aumentam a credibilidade do texto.
Ressalvas anti comunistas servem para legitimar opiniões sobre comportamentos econômicos, acrescidas de aferições planetárias sobre a decadência do que o sociólogo chama de indústria de conteúdo. Estas estariam ameaçando internautas que simplesmente insistem em difundir produtos roubados.
Tudo isso para concluir que o conteúdo privado polui o domínio público, como o céu é do avião... e  sem deixar de lembrar que idéia é sempre criada a partir de idéia dos outros (?... ). Na verdade insiste em desvalorizar a criação individual afim de negar sua propriedade. Mistura o direito de memorizar uma música com direito de propriedade sobre a comercialização, esquece que a venda legal de produtos ilegais é uma ilegalidade, que uma agência de carros legal que comercializa carros roubados também pratica uma ilegalidade.
Mas o que leva alguém a supor que ainda há mundo a ser dominado? O pior inimigo é não sabê-lo e não há meio melhor de sublimar a realidade que nos atinge do que enveredar pelo escapismo, outra atitude típica por aqui. As questões são abordadas sob um anticomprometimento. Pouco importa o que acontece por aqui.
A falta de controles sobre a pirataria nos novos meios em nosso ambiente? Isso não é assunto. Criative Commons sim, foi assunto enquanto pode para finalmente não querer dizer exatamente nada entre nós, mas ocupou muito espaço, vazio.
O impacto que a pirataria teve e tem sobre a nossa economia e sobretudo na geração de riquezas da Música Brasileira, principal produto cultural nacional, isso não é assunto. A debacle cultural do Brasil na última década, a desmobilização de toda malha envolvida na música nacional, a decorrente perda da hegemonia do seu mercado, a nova ocupação estrangeira do mercado de shows no Brasil, a ausência de competitividade nacional, nada disso é assunto. A isenção fiscal para importação de produtos culturais também não merece reflexão. Vamos falar de pirataria lá, da Assembléia americana, da sopa de lá, daqui, nada.
A pirataria tem prestado um serviço nos mercados mundiais alternativos, frustra a comercialização no meio anterior e inibe o desenvolvimento do novo. Condena ao atraso e entrega o mercado a quem tem capacidade de investimento. Quem são os verdadeiros visionários entre nós? Ou a quem interessa insuflar o debate da polarização Hollywood contra Vale do Silício? Que país é esse?... ou Tá tudo dominado.
O artigo do Hermano

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

o mundo grátis custa muito mais caro

pintura Gonçalo Ivo

 O perigo de uma internet que é um faroeste é esse – os usuários são os que sofrem. Isso vai se aclarar com o tempo. Se uma plataforma, talvez até por acaso, vira um canal de atividade ilegal, deve haver medidas (internas ou externas por lei) para restringir o uso da plataforma a uso legal. Faz sentido, não? O consumidor no fim das contas é quem perde –  esse mundo grátis custa muito mais caro...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O tempo da pirataria já passou

Palavras simples em português, “sopa” e “pipa” são acrônimos, em inglês, de duas leis em discussão no Congresso americano capazes de incendiar a internet. “Stop On-line Piracy Act” e “Protect Intellectual Property Act” , algo como leis do “Pare a Pirataria On-line” e da “Proteção da Propriedade Intelectual”, encontram-se, pela ordem, na Câmara dos Representantes e no Senado. Na quarta, surgiu o primeiro sinal, para o grande público, da reação de grupos conhecidos no mundo digital aos projetos de lei: o site da Wikipedia, nos Estados Unidos, entre outros, iniciou um blecaute de 24 horas contra Sopa e Pipa. O Google colocou uma tarja preta, e assim por diante. Alegam os opositores das propostas, semelhantes nos propósitos, que se trata de uma indevida ingerência do Estado no mundo “livre” da internet, algo como uma “censura”. É um exagero equiparar as leis a um ato de censura, mas o termo pegou, circula na rede de Computadores e a manifestação de quarta fez Parlamentares recuarem. Mas a discussão continuará. Ao “Wall Street Journal”, um dos fundadores do Wikipedia, Jimmy Wales, declarou: “A política de internet não deve ser estabelecida por Hollywood.” A menção à sede dos grande estúdios, hoje todos, ou quase, ligados a algum conglomerado de comunicação, ajuda a se entender quem está no centro da briga nos EUA. As leis, voltadas ao correto combate à crescente indústria da pirataria — destruidora de emprego formais, sonegadora de recursos tributários, etc. —, permitirão que a Justiça e o Ministério Público americanos reprimam esquemas de pirataria, e o conseqüente desrespeito a direitos autorais e de propriedade intelectual, montados fora dos Estados Unidos. Cabe um parêntese: uma lei de 1998 (Digital Millenium Copyright Act) permite que servidores sejam legalmente derrubados, se estiveram a serviço da pirataria. Mas só se funcionarem nos Estados Unidos. Sopa e Pipa — a primeira lei é mais direta ao ponto — estendem o raio de ação da Justiça Americana para fora do país. Afinal, sites têm sido criados no exterior para vender ao consumidor americano filmes, shows de TV, programas de computador, livros, músicas, muita coisa, até medicamentos, sem a devida remuneração aos proprietários. Tudo pago por cartão de crédito (barrar essas transferências não é tecnicamente difícil). O conflito, resumido entre “Hollywood vs. Vale do Silício”, vai muito além disso. Está em questão uma antiga e falsa ideia de que tudo na internet é de graça. Não pode ser, pois a Rede mundial de computadores não fez desaparecer o custo — que não é baixo — de produção de conteúdos, em qualquer mídia. Os chamados “agregadores de conteúdo”, Google, o maior deles, se lançaram e construíram forte base empresarial capturando textos, fotos, vídeos sem o devido pagamento a donos e autores. Este tempo passou. Isoladamente ou por meio de representações associativas, editores da mídia impressa e tvs negociam com Google e similares a disponibilidade de seu acervo, enquanto, no caso de jornais e revistas, começa-se a cobrar pelo acesso de leitores a cardápios especiais colocados na rede. Sopa e Pipa são apenas a expressão legal, nos Estados Unidos, de um movimento maior, iniciado pela conscientização das empresas tradicionais de comunicação sobre o que de fato começava a ocorrer na sua atividade com o surgimento da internet.                     editorial Opinião O Globo de 20jan2012...................................................................................................................
WASHINGTON:   The Department of Justice today announced that “individuals and two corporations have been charged in the United States with running an international organized criminal enterprise allegedly responsible for massive worldwide online piracy of numerous types of copyrighted works, through Megaupload.com and other related sites, generating more than $175 million in criminal proceeds and causing more than half a billion dollars in harm to copyright owners.”  Below is a comment from RIAA Chairman and CEO Cary Sherman:“We are deeply grateful to the Justice Department professionals who worked tirelessly on this case for two years.  Federal law enforcement has delivered a historic blow against one of the most notorious illegal distribution hubs in the world.  The indictment outlines a sinister scheme to generate massive profits through the distribution of the stolen intellectual property of others. It also demonstrates that the Justice Department meant what it said when Attorney General Holder committed to enforcing intellectual property theft as a top priority.  The indictment unveils the true nature of services such as Megaupload and should send a clear signal to other similar illegal distribution hubs that think they can violate the law with impunity.” “This also demonstrates the malicious intent of the criminal operators behind these illegal sites, which poses a very real and serious problem for the creative community.  Anyone who doubts that should read this indictment closely.   The government has many tools at its disposal, including criminal prosecution.  But if this service were hosted and operated, for example, in a foreign country, our government would be essentially powerless to do anything about it.  That needs to change.” Additional notes:  According to the Department of Justice’s news release and indictment, Megaupload.com is advertised as having more than one billion visits to the site, more than 150 million registered users, 50 million daily visitors, and accounting for four percent of the total traffic on the Internet.  According to Alexa rankings, Megaupload is among the 100 most visited websites in the world.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Anti política cultural

Partideiro- ilustração Luis Trimano
Se houvesse mesmo uma cidadania corporativa ganhando espaço nos processos de gestão organizacional ou ainda a inclusão social, digital, sociocultural como ativos nas empresas, qual seria o comportamento que se esperaria delas quando no mundo todo se fala em "guerra cambial"?Qual é a contribuição sócio cultural que as grandes empresas patrocinadoras de eventos culturais no Brasil, que usufruem de incentivos fiscais nas suas operações, tem dado ao Brasil nesse momento de guerra cambial?Um paralelo trágico e inimaginável seria numa situação de guerra um grupo de empresas passar a fornecer armas para o inimigo. Mas afinal que guerra é essa?Nossa política anti cultural atua incentivando e submetendo o país a perdas. Não se fala em sustentabilidade quando a questão é a cultura. É legitima a preocupação com os acessos aos idosos, aos deficientes, o destino do lixo produzido, enfim, mas não podemos ficar por isso. O produto cultural está impregnado de política, a quem interessa incentivar com subsídio fiscal a importação de produtos culturais estrangeiros? Quem é o inimigo nessa guerra cambial?A anti política cultural no Brasil está centrada na valorização do produto cultural importado em detrimento do conteúdo nacional. Se impõe através da midia e da vanguarda do processo tecnológico, se utiliza periodicamente do câmbio a seu favor e mais recentemente do incentivo fiscal dado pelo governo via Lei Rouanet e Leis estaduais de isenção de ICMS. Goza portanto de vantagens comparativas e usufrui o mercado brasileiro de forma hegemônica.A anti política cultural no Brasil não dá resposta para a debacle da música nacional, a mais importante manifestação cultural brasileira. Derrotada a economia da música no país, a anti política cultural brasileira trata de aproveitar o vazio ampliando a participação e presença do produto estrangeiro.Não há política nacional alguma que não seja a de enfrentar a anti política cultural estabelecida entre nós e que nos impõe perdas significativas.

sábado, 17 de dezembro de 2011

No canto da música

É ingenuidade intelectual insistir em superficialidades, teses de descobrimentos inesperados, rompantes geniais surpreendentes interferindo no processo de produção, circulação e distribuição de riquezas que envolvem tanta gente, dinheiro e o modo de vida das nossas sociedades.
A indústria da música no mundo fez a opção pelo digital e se preparou para isso. A nova ordem estabelecida pelo avanço tecnológico, que é resultado de investimento, tratou de abandonar e finalizar o meio anacrônico superado. A pirataria, seu anti aliado, tem a função de impossibilitar qualquer recaída no modo de produção vencido, inaugurar a pedagogia do novo meio e impor a conscientização sobre as perdas institucionais que acarreta.
A indústria da música simplesmente não investiu nem mais um centavo no velho modo concentrando toda sua força e capacidade de resistência no estabelecimento da Nova Ordem que gradativamente vai se impondo com as legislações revistas e adaptadas para dar sustentação ao novo mercado digital, único meio de circulação e produção de riqueza para a música contemporânea. Os impecílios e ideologias contrários são vencidos sistematicamente.
Durante este período de reorganização não houve aproximação entre artista e público, ao contrário, o distanciamento se deve à falta de investimento e de locais de consumo, ausência de remuneração e mercado, enfim, o que se viu nesse período de transição foi o desestabelecimento da relação entre o artista e o público, a apropriação oportunista por pseudo artistas de um espaço em gestação e a pirataria desenfreada, a que desrespeita o direito e a propriedade do artista e portanto do conteúdo.
Paralelamente observamos um avanço colossal na presença da música anglo americana nos mercados de shows e apresentações ao vivo em todo mundo, derrubando as hegemonias locais e evoluindo em território de terra arrasada, desmobilizado pela pirataria e paralisado na ausência de mercado legal. A única música com investimento e geração de riqueza ocupou em toda parte o mercado de shows.
Registra-se ainda uma concentração do capital proprietário do conteúdo. Não se verifica crescimento do capital independente das grandes corporações, os independentes são absolutamente irrelevantes no mercado global comparado com as majors, que agora são três megacorporações, registrando-se portanto uma radical oligopolização do setor.
O que se chama de derrocada da indústria equivale a mal juízo, análise apressada, superficial e desinformada, a indústria da música de fato foi pioneira na implantação e adoção do meio virtual de circulação e se organiza gradativamente ampliando seu espectro global de exploração mercadológico. O superlucro dos anos 90 financia a viragem que assegura concentração de poder e riqueza por longo tempo. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A questão é perceber de fato quem são os pró-ativos?


pintura Gonçalo Ivo
iTunes Preparando Lançamento na América Latina
Na sequência da sua bem-sucedida incursão no México, o iTunes está preparando o lançamento em outros países latino-americanos no final do ano ou até o primeiro trimestre, o mais tardar, dizem fontes familiarizadas com as conversas. Um porta-voz do iTunes não quis comentar, mas uma grande variedade de executivos de diferentes áreas da indústria musical dizem que o varejista vai certamente abrir lojas na Argentina e no Brasil e provavelmente em vários outros países na região. Algumas fontes dizem que a loja brasileira será aberta logo em meados de dezembro. 
O ITunes vem negociando separadamente com as editoras e gravadoras e, sem dúvida seu sucesso no México, sua primeira atuação no mercado latino-americano, ajudou a impulsionar a decisão de expandir para outros países latinos, começando, dizem as fontes, precisamente com o Brasil. No México, antes do advento do iTunes em 2009, o mercado de música online era praticamente inexistente, mesmo se houvesse lojas de música online. Mas em 2010 havia quase 13 milhões de faixas vendidas online, de acordo com a associação das gravadoras do México (Amprofon) - um aumento de 116,3% sobre 2009, com a maioria dos resultados provenientes do iTunes. Para os primeiros seis meses de 2011, as vendas digitais em grande parte realizadas pelo iTunes cresceram 7,7%, de acordo com Amprofon, em comparação a 2010, mesmo com a queda das vendas físicas de 11%. "Isso é o indicativo positivo de que quando as pessoas têm mais opções para aceder a música legalmente on-line (através de downloads, streaming e serviços de assinatura) mais eles fazem isso, o compartilhamento ilegal de arquivos irá diminuir e, se bem gerido, o verdadeiro valor da música vai crescer ", diz Robbie Lear, diretor da EMI México. Apesar de muitos outros países latinos viram suas vendas digitais aumentando ao longo dos últimos anos, as vendas vêm principalmente de dispositivos móveis, como  ainda não há lojas de música on-line verdadeiramente bem sucedidas na região. A única exceção é o Brasil, onde as vendas de música digital para os primeiros seis meses do ano, de acordo com números da IFPI, situou-se em um valor por atacado de 22,1 milhões dólares e teve um crescimento de 2% em relação ao ano anterior. Talvez o mais importante, na medida do iTunes está em causa, o Brasil tem mostrado a sua vontade de comprar música online, com a maioria de suas vendas de música digital provenientes de fontes on-line; segundo algumas estimativas, o serviço de subscrição Sonora sozinho tem cerca de 500.000 assinantes pagantes. "É um mercado digital que está crescendo e tem uma receita interessante", diz Alejandro Duque, diretor de vendas e desenvolvimento de negócios da Universal Cone Sul . No entanto, os fãs de música "definitivamente não consomem com a freqüência que eles poderiam se tivessem acesso direto à música em seus dispositivos." Mesmo que ninguém saiba ao certo quando e onde o iTunes vai abrir, as possibilidades vão além de vendas imediatas, "Qualquer meio de distribuição que for confiável e amigável são sempre importantes para nós das gravadoras independentes ", diz Tomas Cookman, presidente da indie norte-americana Nacional. "Mesmo sendo um importante mercado de shows e financeiramente compensador, a América Latina é um sucesso ainda em falta. Há muitos produtos para trabalhar a qualquer momento e as majors, obviamente, têm seu largo repertório da própria região nas mãos. Com o lançamento do iTunes Latino e o crescimento da sua penetração, estaremos mais e mais incluindo o restante da América Latina de volta em nossos contratos. "

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Chegou o momento do contra-ataque da indústria da cultura


ilustração Rubens Gerchman

3 outubro 2011/ NELSON DE SÁ / ARTICULISTA DA FOLHA

Robert Levine foi editor da revista "Billboard", que cobre música, e antes trabalhou na "Wired", que cobre tecnologia. Acreditava que a indústria fonográfica e os produtores de conteúdo em geral deveriam abrir seus produtos, gratuitamente, na internet. Até notar, aos poucos, que as empresas de tecnologia cresciam lucrando com os mesmos produtos, mas resistiam a pagar por eles.
Passou a "seguir o dinheiro" e levantou que as instituições que defendem abrir tudo na internet são financiadas pelas mesmas empresas de tecnologia. Que o Creative Commons recebeu US$ 1,5 milhões do Google em 2008 e mais US$ 500 mil em 2009.
O resultado é o livro "Free Ride", carona grátis, que faz ao longo de 320 páginas um relato detalhado de "como a internet está destruindo a indústria da cultura" e sugere "como contra-atacar". O livro foi lançado no Reino Unido há dois meses, com elogios do "Financial Times" e restrições do "Independent", e sai nos EUA no próximo dia 25.
Abaixo, trechos da entrevista realizada por telefone:
*
Folha - Você escreve que o conflito em torno da internet não é entre ativistas e empresas de mídia, mas econômico, entre empresas de tecnologia e empresas de mídia, de conteúdo.Robert Levine - Era o ponto principal que eu queria abordar. As pessoas veem essas questões em termos de bem e mal. Quando você tem empresas, elas tendem a agir segundo seus interesses econômicos, a fazer o que dá dinheiro. Na internet, você está falando de grandes provedores, Verizon, At&T, e de Google, Facebook. Mas os ativistas ainda falam, por exemplo, em blogs: "Somos nós contra as grandes empresas de mídia". Mas a indústria fonográfica já não é tão grande, se comparada ao Google, e é pequenina, se comparada às teles. As pessoas dizem: "A indústria fonográfica manda em Washington". E ela não é nada comparada ao Google, às empresas de tecnologia.
Folha - Qual foi seu ponto de partida?Levine - Eu trabalhei na "Wired", tempos atrás, e acreditava que as gravadoras eram antiquadas, atrapalhavam o progresso. Com o tempo, pensei: "Espera aí, muitas dessas empresas de internet não querem pagar por conteúdo". O Napster ainda tinha um plano para pagar por conteúdo. Não era bom, mas era um plano. Glogster, não. Limewire, não. A ideia sempre foi fazer um livro crítico, mas nem tanto quando acabou sendo. Descobri que havia todo esse dinheiro que os ativistas recebiam. Temos uma frase no jornalismo americano, "siga o dinheiro", não tenho certeza da origem, mas apareceu em Watergate.
Folha - A origem foi o roteirista do filme [William Goldman].Levine - Exato, "Todos os Homens do Presidente". Ok, você conhece a sua cultura pop. (risos) Para mim, é o que você faz, como jornalista: você segue o dinheiro. E eu examinei o Creative Commons e [seu fundador] Lawrence Lessig, o Center for Internet and Society, da Universidade Stanford, a New America Foundation. Muita gente me disse, "eles são legais, boas pessoas". Provavelmente são, não penso que ninguém seja o mal. O mal é matar alguém, não infringir copyright. Mas eles são enviesados.
Folha - Parte do financiamento dessas instituições vem das empresas de tecnologia.Levine - Muito do financiamento vem. E o que é interessante é que as pessoas não sabem. Se você ler os jornais, não há qualquer menção. Como é que esses ativistas recebem todo esse dinheiro do Google e ninguém diz nada? Trabalhei seis meses no levantamento da proposta para o livro. Mais e mais eu me surpreendia. Comecei a pensar: "É um conflito de negócios: Quem vai controlar a distribuição de música é a Warner ou o Google?". Não penso que as gravadoras sejam o bem ou que o Google seja o mal, porque sou um jornalista de negócios. Mas creio que alguns desses ativistas... Dias atrás, almocei com um, aqui em Berlim, e ele não sabia de onde vinha o dinheiro do Creative Commons. Não é estranho?
Folha - Aqui no Brasil, talvez Gilberto Gil também não saiba.Levine - É curioso que você cite o Brasil, porque havia dois países que eu queria visitar, para o livro, mas não pude, porque não tinha o dinheiro: Brasil e Nigéria. Sou um "nerd" de música, comecei como jornalista musical. Brasil e Nigéria tiveram grandes cenas musicais nos anos 60 e 70. Tropicália, Gil, Caetano Veloso, Os Mutantes. Na Nigéria, Fela Kuti, Tony Allen, o Afrobeat. A maioria foi bancada por grandes gravadoras. Gil estava na Philips.
Folha - Uma grande gravadora na época.Levine - Que depois virou parte da Polygram, que agora é parte da Universal. Mas hoje as pessoas falam: "No Brasil existe essa grande cena tecnobrega, que não precisa de gravadoras". Sim, mas ela não gera qualquer recurso de exportação para o Brasil. Todos aqueles discos de Gil geraram recursos para a economia. Por isso eu queria ir, porque vocês têm essa imagem de que o mundo em desenvolvimento deve ser contrário ao copyright. E eu não acredito que ela seja correta.
Folha - Gil e outros artistas, como Radiohead, tentam incorporar a distribuição grátis via internet. Como você essas tentativas de construir pontes?Levine - O que o Radiohead fez foi realmente esperto. Eles conseguiram mais dinheiro ainda com aquele álbum, o que deram de graça. Deixaram você pagar o que queria, conseguiram muito dinheiro e promoveram sua turnê. Foi realmente inteligente. Por outro lado, o Radiohead pôde fazer porque já era famoso. E já era famoso porque, por um lado, na minha opinião, é uma das bandas mais talentosas que há, mas também porque teve muita promoção da EMI.
Folha - Para começar.Levine - No começo. Você tem muitos artistas talentosos que ninguém conhece. A EMI gastou muito dinheiro falando ao mundo sobre o Radiohead. Imagino que a Philips tenha gasto muito dinheiro para falar ao mundo sobre Gil. Tenho vários daqueles discos, mas não conheço tanto a história. Mas ele estava na TV brasileira. Então, quando se torna conhecido, você não precisa de uma gravadora, mas quem será o Gilberto Gil de amanhã?
Folha - O livro aborda também imprensa e TV. Diz que tiveram duas formas de tratar a internet, no início; a primeira seguindo a opinião geral e abrindo quase tudo na internet, caso do "New York Times", e a segunda mantendo o conteúdo fechado, caso do "Financial Times", o que fez toda a diferença. E daqui para a frente?Levine - A indústria de jornais nos EUA e no Reino Unido sempre foi ligada à publicidade. Dez anos atrás, a divisão tradicional era de 85% de recursos oriundos da publicidade e 15% da venda de exemplares. Se você examinar os EUA, a proporção do PIB que vai para publicidade não mudou muito desde 1995. O PIB sobe e desce, mas o percentual se mantém. Você tinha, digamos, essa torta que sustentava jornais, TV, revistas. Agora você corta essa torta pela metade. Google e Facebook ficam com uma metade. Todos os jornais e todas as TVs estão disputando a outra. Eles têm de vender o conteúdo, não têm alternativa. Não sei se vender o conteúdo vai funcionar, mas sei que distribuí-lo de graça na internet não vai. Não para um jornal ambicioso, que gasta muito dinheiro com seu conteúdo. "New York Times", "Wall Street Journal", "Zeit", "Le Monde", alguns poucos em cada país. Não são todos que querem cobrir guerras, esse tipo de jornalismo, mas, se quer ser um grande jornal, tem que cobrar.
Folha - Vale também para os emergentes?Levine - Pode ser diferente no Brasil ou na Índia, porque suas economias estão se expandindo. Não sei muito do Brasil, mas quando uma economia cresce mais rápido, você tem mais pessoas na classe média e mais gastos, internamente. E, quando você tem mais gastos internamente, aí a publicidade realmente decola. Mas é muito difícil fazer previsões sobre o Brasil, porque é um país tão grande, com tantas diferenças, São Paulo e Manaus são quase mundos diferentes. Mas, num país desenvolvido, você tem que vender as notícias. E acredito que as pessoas vão comprar. Eu pago US$ 23 por mês pelo "New York Times". Se mudarem amanhã para US$ 33, continuaria pagando. As pessoas são muito sensíveis à conveniência ao pagar, elas querem que seja fácil, mas não creio que se importem tanto com o custo. A maioria dos americanos paga US$ 60 por mês pela TV a cabo. E a maior parte da programação é muito ruim.
Folha - Centenas de canais, nada para ver.Levine - US$ 60 pelo cabo ou US$ 30 pelo "NYT"? Para mim, US$ 30 pelo "NYT". Nos EUA, o iTunes aumentou o preço das músicas de US$ 1 para US$ 1,29. E vendeu 13% menos músicas, mas obteve 20% mais de dinheiro. Se você está no negócio para ter, é realmente inteligente.
Folha - Por que você escreveu sobre direitos de músicas, jornais, filmes, e não sobre patentes de forma geral?Levine - Uma das razões é que patente é uma questão de vida ou morte. Se você precisa muito de um remédio e não pode pagar, você pode furtá-lo. E eu não posso dizer que seja uma coisa ruim você estar furtando remédio. Mas se você furtar um álbum do Led Zeppelin...
Folha - Não é a salvação da vida de ninguém, necessariamente.Levine - Espera aí, para mim é. (risos) Mas eu cresci em Connecticut, não havia nada para fazer. Mas são coisas diferentes. Você pode dizer que o governo da Índia ou do Brasil ou da Nigéria tem uma motivação política legítima. Você tem o direito de expropriar propriedade intelectual americana se vai salvar vidas? A resposta é talvez. Mas você têm o direito de expropriar "Gossip Girl"? "Desperate Housewives"? Aí é algo difícil de defender. Se você examinar o que acontece na Organização Mundial de Propriedade Intelectual, na ONU, muitas pessoas do Creative Commons e do Google confundem as duas questões, copyright e patentes. Para mim, são muito diferentes, porque o que está em jogo é muito diferente. Não penso que furtar uma música do Led Zeppelin seja uma coisa horrível, embora me pareça, de fato, desnecessário.
*
Folha - No fim do livro, você fala dos diferentes caminhos possíveis daqui para a frente. Um deles seria o esforço crescente, na Europa continental, para combater a pirataria na cultura. É uma saída?Levine - Sim. As divergências legais que estão sendo debatidas hoje são muito pequenas. Ninguém diz que baixar algo pelo qual você não pagou seja correto. Ninguém diz que postar um filme na internet é correto. Tudo o que estão discutindo é quem deve responder legalmente pelo ato. O YouTube diz: "Vocês não podem nos processar, têm de processar os indivíduos". Mesmo se for difícil garantir o respeito às leis, é importante delimitar, com leis que digam "ei, isso é errado". Só deixar o sinal já é importante.
Folha - O Google tem um lema, hoje pouco lembrado, "don't be evil", não seja mau. Mas agora, com o Google tão grande, com o Facebook tão grande, a imagem do bem está mudando?Levine - Ah, sim.
Folha - No livro, você cita que [o editor] Chris Anderson proclamou, na "Wired", que "a web está morta", porque está se fechando, com dispositivos como Xbox Live e App Store. Os malvados se tornaram as grandes empresas de tecnologia? Elas são o novo alvo?Levine - Sim, mas me permita dar algum contexto. Sempre houve dois lados na indústria do entretenimento: o produto e a plataforma. Hoje, o Google controla a plataforma. Também os provedores de serviços de internet, as teles, são uma plataforma. Apple e Amazon têm plataformas fechadas. E parte do problema é: quem tem o poder, o produto ou a plataforma? Na indústria tradicional de mídia, o produto tem muito poder. Se estou tentando fazer você comprar TV paga, você vai querer o canal com os melhores programas. Se tenho um cinema, preciso de bons filmes. Com a internet, você não precisa pagar nada, está tudo lá. Então a questão é como fazer a plataforma pagar pelo produto. Quando Chris diz que "a web está morta", uma das coisas de que está falando, penso eu, é que muitos dos criadores de conteúdo não gostam da internet, porque é uma forma muito ruim de vender coisas. A internet foi criada por cientistas que queriam compartilhar informação acadêmica. Para isso, ela é extraordinária. Mas não estamos mais usando a internet para compartilhar pesquisa acadêmica. Estamos usando para serviços bancários, para tudo.
Folha - Para mídia.Levine - Mas a internet só é boa para compartilhar informação. Se você quer vender informação, ela não é, na verdade, um sistema bem estruturado. Daí a pergunta: Que passos podemos tomar para mudar o sistema? A Apple tem um sistema muito bom para vender coisas. O Xbox tem um sistema muito bom para vender coisas. Você pode achar os videogames idiotas, mas tecnicamente é um sistema muito bom. Mas o Google diz: "Espera aí, você não pode fazer mudanças, é imoral". Eu não penso que seja imoral. É ruim para os negócios do Google, porque, quanto mais informação vai para a internet, mais o Google lucra. É ótimo para eles. Mas, se você quer lucrar também, alguém tem que comprar sua informação. Temos que estruturar um sistema ou regular um sistema para mais gente.
Folha - Regular como?Levine - Me desculpe se soa pretensioso, mas eu acho que a pergunta é: "Quem está no comando?". Os políticos regulam a plataforma ou as plataformas regulam os políticos? Eu não votei no Google. Eu vou e volto quanto ao governo americano, mas no ano que vem posso votar novamente. Provavelmente votarei em Obama outra vez, mas eu posso votar e você pode votar em não sei quantos anos. Você não pode votar no Google ou na Apple.
Folha - Eles estão lá e ponto.Levine - Eles simplesmente estão lá. Uma das coisas de que eu gosto sobre a Europa é que, quando os EUA não regularam a Microsoft, a Europa o fez. Quando os EUA não regularam a Intel, a Europa o fez. Não acredito que os EUA vão regular o Gooogle. Porque eles são muito próximos de Obama.
Folha - Google e outras empresas de tecnologia têm feito encontros e jantares com Washington ultimamente.
Levine - O Google doa muito dinheiro para Obama. Eric Schmidt [executivo do Google] foi um sério candidato a secretário do Comércio. Como você pode ter um secretário do Comércio que pensa que tudo deve ser grátis? É um pouco estranho.
Folha - Além de Chris Anderson, Tim Berners-Lee, o inventor da web, escreveu que a internet está em perigo por causa de "ilhas" como o iTunes.Levine - Mas aí eu tenho de perguntar se está em perigo ou se está evoluindo. Não quero voltar a comprar fitas cassete e discos de vinil. As coisas avançam e mudam. Podemos comprar música no iTunes, no Spotify, mas compramos on-line. Isso não vai voltar atrás. A indústria fonográfica tem de se adaptar, as editoras de livros têm de se adaptar. E adivinhe? Também Tim Berners-Lee tem de se adaptar. Por que todas as pessoas que defendem o progresso tecnológico querem que a internet se mantenha exatamente como era em 1995? Tim Berners-Lee e Lawrence Lessig e todos esses caras querem que a internet continue exatamente igual. A internet vai crescer, amadurecer.
Folha - Mas Berners-Lee criou a web, ele não deveria ser ouvido?Levine - Ele é um cientista, muito inteligente. Mas eu não quero um cientista decidindo como a sociedade deve funcionar. Para isso, ele não é qualificado. E deveria calar a boca. Aliás, eu não sou qualificado também. Isso precisa ser uma conversa política. Os chamados valores "geek" [dos aficcionados de tecnologia] na verdade não têm muito apoio entre as pessoas. Poucos parecem concordar com Tim Berners-Lee. Então, quem se importa com o que ele diz? É um gênio, mas só porque é um gênio da ciência da computação... Ter professores muito inteligentes decidindo como a sociedade funciona nos deu algumas das piores economia do século 20. Se você vai e pede, "estruture uma sociedade", você termina com a União Soviética.
*

sábado, 5 de novembro de 2011

Reboliço


terça-feira, 2 Março 2010

Foto: Gil Lopes
foto GL- logo em New York 
Depois do assessor do presidente Marco Aurélio Garcia provocar a nação comparando a programação da TV a cabo à Quarta Frota, ou seja, que a hegemonia cultural americana corresponderia no âmbito bélico a presença da sua divisão naval no Atlântico Sul, a resposta veio rápida e contundente. A Folha de São Paulo tomou a frente e disparou matérias, opiniões, declarações condenando a diatribe do governante: “Eles realizam, de forma indolor, um processo de dominação muito eficiente. Despejam todo esse esterco cultural (…) A emergência desse lixo cultural nos deixou numa situação grave". Bruno Barreto achou o discurso obsoleto. Domingos de Oliveira que em recente artigo no O Globo conclamava por um Ministério da Arte e dizia “... qualquer criança, qualquer homem de bem, qualquer pessoa séria, sabe imediatamente distinguir o que é arte e o que não é, o que é o Bem e o Mal, o que é a Ordem ou Caos, o que é motivo de viver ou morrer, o que faz crescer ou diminuir”, se manifestou dizendo que o seriado House é muito melhor do que qualquer série da Globo. Daniel Filho patrulhou a declaração por conta do apoio do assessor aos governos de Fidel e Chaves. Já Roberto D’Avila apontou para a falta de regulação da TV aberta  onde apenas 12% dos filmes são nacionais e na rubrica séries e miniséries 71%  do tempo é ocupado por produtos americanos. Um estupendo anúncio de página inteira do Bradesco Seguros para o musical americano Cats, apoiado pela Lei de Incentivo a Cultura do Ministério da Cultura, divide a página seguinte com imagens do Carnaval. Na sequência a reação continuou. Bruno Barreto novamente vaticinou: “cabe aos produtores criar produtos que sejam interessantes para as emissoras, qualquer imposição pode ser um tiro no pé”. Mas foi do editor de opinião da Folha, Marcos Augusto Gonçalves,  a pérola da manchete “Esterco, Go home!” onde argumenta que a cultura norte americana é decorrência do processo de interação e choques das culturas europeia e africana. Invoca o jazz como fonte da bossa nova e relembra Oswald de Andrade e nossa capacidade antropofágica. Mistura na confusão João e Tom como influenciados pelos jazz na suas criações. Termina ideológico falando também em Chaves,  na censura do governo chinês a Internet e minimiza a participação da TV a cabo que atinge apenas 7,5 milhões de brasileiros com poder aquisitivo para pagar seu aluguel. Antes do final, mais uma página inteira com artigo de opinião agora assinado especialmente pelo cineasta e diretor de tv Luiz Fernando Carvalho que argumenta com o "assiste quem quer" e invoca o livre arbítrio: “proibir não”, seria contra os ideais democráticos tentar restringir o livre fluxo de informações. Relembra Cuba, Venezuela e China, fala em contra mão da cultura , em cerceamento de exibição de conteúdos na era da transmidia. Nosso declarante deu um contorno de guerra no plano cultural. Tratou da guerra cultural que se trava hoje no mundo inteiro produzida pela globalização. Na semana seguinte O Estado de São Paulo abriu seu Caderno 2 com a manchete: A Broadway é aqui. Celebra São Paulo que se consolida como capital do canto e dança com a estreia de seis musicais importados. Termina dizendo que em São Paulo, o canto da Broadway agora parece não ter mais fim. No Rio de Janeiro foi Madonna que municiou a mídia em pleno Carnaval. Dizem que a visibilidade da cidade foi projetada internacionalmente com a presença da pop star americana, trazendo benefícios para o Carnaval carioca. Paris Hilton, Beyonce e Alicia Keys também vieram. Que país é esse?

Cultura e Mercado

foto GL - Vila Nova Serveira ( escultura José Rodrigues, do Minho) 
Garantir direitos e liberdades só não basta, é muito mas não basta, no âmbito da Cultura é preciso que o Estado promova e preserve a Cultura nacional. 
Vivemos no perímetro da cultura e comunicação de massas norte americano cuja presença é avassaladora, precisamos reunir muitas forças para contrabalançar essa presença, eis portanto o coração de uma política cultural, mas o que vemos? 
A Presidenta da República do Brasil no planalto a tirar fotos com Lenny Kravitz por exemplo, não deve passar batido. Nem Lula fotografando com roqueiros importados. É caipira demais.  Podemos mais e queremos mais. Não haverá afirmação da nação sem afirmação cultural e o marketing cultural governamental pode ser muito importante, se coerente e bem encaminhado. 
Cultura é confronto e é bom que se entenda isso de uma vez. 
Estamos muito atrasados, no digital então nem se fala. Perdidos nos entregamos a pirataria e a baixaria, chamamos isso de internet livre, resulta na debacle da música brasileira há mais de dez anos abandonada e reduzida paulatinamente no território nacional. Onde deveríamos buscar o entendimento com as grandes corporações, duvidamos. O resultado é essa derrota acachapante no âmbito cultural que experimentamos por conta da anti política cultural que procedemos, a que privilegia o produto cultural importado no mercado cultural brasileiro.   
01/novembro/2011 

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Globalização da cultura


 | terça-feira, 16 março 2010

Foto: Gil Lopes
foto GL - outdoor New York
Uma atriz de novela brasileira conquistou o país e foi celebrada em Los Angeles numa festa de prêmios entre os melhores programas de tv no mundo. Esse acontecimento seria suficiente para projetar nossa estrela no mercado de atrizes em território americano? Teria chances? Imediatamente recordamos Sônia Braga como um modelo de situação semelhante. Depois de tantos anos como percebemos sua trajetória? Além da conquista individual que definitivamente pertence exclusivamente a ela, sua imigração trouxe algum benefício para o ambiente de reprodução das artes cênicas brasileiras? Do ponto de vista pessoal qualquer pessoa deve poder fazer o que bem entender do seu destino, inclusive escalar o Monte Everest se quiser. Mas como modelo de reprodução o que podemos concluir da experiência de Sônia Braga. Seria um bom exemplo para nossa atual atriz vitoriosa? Os mais antigos poderão recordar a bela cearense Florinda Bulcan que nos anos 60 se lançou na Itália assessorada por uma Condessa local e teve um sucesso relativo e projeção internacional. Tanto Sônia como Florinda passaram a residir no exterior definitivamente. Haveria alguma chance sem a presença definitiva nos mercados que se submeteram? Enquanto isso observamos artistas espanhóis conquistando um espaço global e sendo premiados em produções americanas, Penélope Cruz é a mais destacada atualmente, mas não só. A presença hipânica relevante no território americano é a base e a razão desse sucesso. Nenhuma outra nacionalidade tem tanta presença nos EUA quanto os hispanos. Mas poderíamos dizer que as artes cênicas espanholas recebem alguma vantagem por conta desse sucesso de alguns de seus atores em terras estrangeiras? Mas e a música , o futebol brasileiro? Não seriam exemplos bem sucedidos da globalização nos atingindo favoravelmente? No caso da música temos que considerar a capacidade interna de geração de riqueza como a base da plataforma de sua exportação. Sem ela é impossível manter o ritmo de produção e circulação necessários para a consolidação da presença. Sem dúvida foi nossa experiência artística mais bem sucedida internacionalmente, e atualmente sofre um período de deterioração em função da ausência exatamente desses pressupostos. Interrompe-se assim o caminho que sobretudo João Gilberto e Tom Jobim nos legaram. O futebol que é esporte, para nós é arte. O primeiro presente é uma camisa do clube do coração. O êxodo dos nossos melhores atletas impede que tenhamos acesso ao seu show a não ser pela via televisiva, somos compradores de bom futebol internacional pela TV, não compartilhamos com a excelência de suas exibições. Mas o celeiro se mantém, a esperança da redenção econômica no exterior é mais um fator de estímulo. Agora que recuperamos nossa capacidade de sonhar, de projetar utopias, em que medida podemos conceber participar da globalização cultural?

A Felicidade da indústria


Gil Lopes | domingo, 28 março 2010

Caveira cravada de diamantes, de Damien Hirst
. 
foto GL - Londres ( reprodução objeto de Damian Hirsch)

A indústria da música foi pioneira ao definir sua estratégia de investimento direcionada para o digital, em plenos anos 90. Quem viu lembra do grande chefe Andre Midani explicando na TV o que e como seria o mundo das vendas de músicas pela Internet, na época isso era tarefa para visionários : enxugamento de toda máquina administrativa e galpões de estocagem, as maravilhas da venda imediata on line, simplificação contábil e diminuição do quadro de funcionários, divulgação sem custos de jabá, tudo isso era motivo de “talk show” na época. É célebre também as perdas com enchentes, os casos de desvios nos galpões de discos em São Paulo, e culminou no escândalo internacional da EMI Odeon com impacto no preço de suas ações. Esse era o velho mundo e a velha cultura.
Com a Nova Cultura uma série de novos desafios e questões se impõem, sobretudo o estabelecimento de uma Nova Ordem, legal, para o negócio, sem contudo desprezar o momento histórico de distribuição e alargamento da posse de computadores e meios de conexão. Essa explosão é promovida prioritariamente pois será base constituída do negócio. Cada computador, mais que uma loja, um negócio. É preciso encorajar e dar credibilidade nesse momento de expansão e inclusive fazer disso mais que um bom negócio, uma necessidade. Ao lado disso, vem a Nova Ordem, que se estabelece paulatinamente no tempo. Tempo é dinheiro, mas o Poder é mais importante que o lucro.

Nessa fase de desconstrução da velha Ordem, até o inimigo tem função, cabe ao pirata o desmantelamento do mercado e a desconstrução dos velhos meios, abrindo caminho para o novo mundo, limpo e digno, do futuro.

Nas sociedades mais desenvolvidas, mais educadas e com maior grau de percepção dos agentes sociais de seu papel , nas sociedades enfim de maior poder cultural, o trabalho inicial e fundamento de todos os passos seguintes é o da educação e educar é ensinar a ser livre. Num ambiente cidadão, onde o privilégio da cidadania plena é exercido e gozado pela sociedade, pagar imposto ou respeitar as leis é mais que obrigação, é um direito. Nesses espaços é muito mais fácil projetar o novo mundo e a Nova Cultura. E é lá que está em processo esse evento, de forma gradativa e constante. A lei e a repressão vem a reboque, acompanhadas do desenvolvimento da legislação. Mas a sociedade avança. É isso que vem ocorrendo nos EUA, na Europa e por todo mundo.
Enquanto no ambiente bárbaro as teorias da debacle das grandes corporações evolui junto das considerações sobre o mau desempenho dos seus executivos e estratégias, bem no estilo futriqueiro e mau intencionado que é próprio na mídia comprometida com a anti cultura vigente no Brasil, somos alcançados pelo tsunami que fulmina toda capacidade de reprodução e geração de riquezas da música brasileira, interna e externamente. Instala-se aqui o modelo de pirataria que é justificado pela burguesia, a primeira a se fartar em utilizá-lo, como uma mera reprodução do que ocorre no mundo inteiro ou recorrendo ao “mas quem não pratica isso ?”, fazendo questão de fechar os olhos para o desenvolvimento e avanço da Nova Ordem. Esquecem também que o desemprego e a falta são as decorrências desse comportamento social. Aproveitam para clamar pela inovação que justifique a legalidade, como se isso não fosse uma decorrência de seu comprometimento.

Tristeza não tem fim, felicidade sim.