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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Se a Europa despertar

pintura Gonçalo Ivo
A imaginação política dos europeus só passará mais uma vez à ofensiva se for transformada pelo entusiasmo de inventar uma continuação nova e transfiguradora de sua história. A inteligência da Europa enfrenta agora o desafio de reconstruir o mecanismo do seu destino; e desta vez não se trata de um sujeito político da grande Europa Ocidental com sede em Bruxelas, manifestando uma nova pretensão ao Império. 
Não cabe aos europeus de hoje e de amanhã representar pela enésima vez o papel dos romanos. A tarefa que os europeus devem enfrentar consiste antes em submeter a uma metamorfose histórica o próprio princípio da grande potência ou do Império. A obrigatoriedade da grande política aparece hoje no desafio de romper o próprio caráter imperial da imagem da grande potência e transformá-la em um participante no cenário de uma futura política interna mundial. A Europa será o seminário onde os homens aprendem a pensar para além do Império. Surpreender o mundo com o novo, não é isso algo bem europeu? 
De um ponto de vista exigente, ser europeu significa hoje assumir a revisão do princípio do Império como a maior tarefa tanto da teoria quanto da prática. Não se trata mais de dar forma a potências neo-europeias pela apropriação de modelos da velha Europa, mas sim de suprimir o próprio princípio do Império, substituindo-o - em um ato histórico-mundial de criação de forma política- pelo princípio da união de Estados. Como federação multinacional, a Europa deve desenvolver um primeiro modelo bem-sucedido de uma camada intermediária, hoje ausente, entre os Estados nacionais e as organizações do complexo das Nações Unidas. Esse é o tema inevitável de uma futura filosofia política europeia, da qual já é possível dizer que só pode concretizar-se como filosofia processual do pós-imperialismo. 
Peter Sloterdijk - Se a Europa Despertar, reflexões sobre o programa de uma potência mundial ao final de uma era de sua letargia política.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A questão é perceber de fato quem são os pró-ativos?


pintura Gonçalo Ivo
iTunes Preparando Lançamento na América Latina
Na sequência da sua bem-sucedida incursão no México, o iTunes está preparando o lançamento em outros países latino-americanos no final do ano ou até o primeiro trimestre, o mais tardar, dizem fontes familiarizadas com as conversas. Um porta-voz do iTunes não quis comentar, mas uma grande variedade de executivos de diferentes áreas da indústria musical dizem que o varejista vai certamente abrir lojas na Argentina e no Brasil e provavelmente em vários outros países na região. Algumas fontes dizem que a loja brasileira será aberta logo em meados de dezembro. 
ITunes vem negociando separadamente com as editoras e gravadoras e, sem dúvida seu sucesso no México, sua primeira atuação no mercado latino-americano, ajudou a impulsionar a decisão de expandir para outros países latinos, começando, dizem as fontes, precisamente com o Brasil. No México, antes do advento do iTunes em 2009, o mercado de música online era praticamente inexistente, mesmo se houvesse lojas de música online. Mas em 2010 havia quase 13 milhões de faixas vendidas online, de acordo com a associação das gravadoras do México (Amprofon) - um aumento de 116,3% sobre 2009, com a maioria dos resultados provenientes do iTunes. Para os primeiros seis meses de 2011, as vendas digitais em grande parte realizadas pelo iTunes cresceram 7,7%, de acordo com Amprofon, em comparação a 2010, mesmo com a queda das vendas físicas de 11%. "Isso é o indicativo positivo de que quando as pessoas têm mais opções para aceder a música legalmente on-line (através de downloads, streaming e serviços de assinatura) mais eles fazem isso, o compartilhamento ilegal de arquivos irá diminuir e, se bem gerido, o verdadeiro valor da música vai crescer ", diz Robbie Lear, diretor da EMI México. Apesar de muitos outros países latinos viram suas vendas digitais aumentando ao longo dos últimos anos, as vendas vêm principalmente de dispositivos móveis, como  ainda não há lojas de música on-line verdadeiramente bem sucedidas na região. A única exceção é o Brasil, onde as vendas de música digital para os primeiros seis meses do ano, de acordo com números da IFPI, situou-se em um valor por atacado de 22,1 milhões dólares e teve um crescimento de 2% em relação ao ano anterior. Talvez o mais importante, na medida do iTunes está em causa, o Brasil tem mostrado a sua vontade de comprar música online, com a maioria de suas vendas de música digital provenientes de fontes on-line; segundo algumas estimativas, o serviço de subscrição Sonora sozinho tem cerca de 500.000 assinantes pagantes. "É um mercado digital que está crescendo e tem uma receita interessante", diz Alejandro Duque, diretor de vendas e desenvolvimento de negócios da Universal Cone Sul . No entanto, os fãs de música "definitivamente não consomem com a freqüência que eles poderiam se tivessem acesso direto à música em seus dispositivos." Mesmo que ninguém saiba ao certo quando e onde o iTunes vai abrir, as possibilidades vão além de vendas imediatas, "Qualquer meio de distribuição que for confiável e amigável são sempre importantes para nós das gravadoras independentes ", diz Tomas Cookman, presidente da indie norte-americana Nacional"Mesmo sendo um importante mercado de shows e financeiramente compensador, a América Latina é um sucesso ainda em falta. Há muitos produtos para trabalhar a qualquer momento e as majors, obviamente, têm seu largo repertório da própria região nas mãosCom o lançamento do iTunes Latino e o crescimento da sua penetração, estaremos mais e mais incluindo o restante da América Latina de volta em nossos contratos. "

terça-feira, 1 de novembro de 2011

As Reminiscências e o Futuro


Gil Lopes | quarta-feira, 17 fevereiro 2010

Imagem: Gil Lopes
pintura de Gonçalo Ivo
Aceitei o convite para colaborar neste ambiente e projetei um breve painel do que vi e que revela também como vi esses tempos. Se os anos 70 foram marcados pela ditadura militar no Brasil, os 80 foram a redenção para minha geração que chegou a idade adulta e ao mercado de trabalho querendo construir um novo Brasil, depois da adolescência carente de liberdade. As Diretas , a Constituinte e a pergunta da década: que país é esse? Foram episódios marcantes e na Cultura a vanguarda foi da música brasileira, nenhuma outra expressão teve tanta potência e popularidade. A MPB, o Tropicalismo e o rock Internacional se misturaram de tal maneira que o caldo resultante se chamou Rock Brasil e conquistou todas as esquinas do país. O rock que fala a nossa língua foi a trilha sonora do período.
A volta da política trouxe a percepção das energias e dos sonhos represados até então: que país é esse, ideologia, alagados, entre outras canções de sucesso refletiam um comportamento engajado e a esperança de construir o novo país. O Estado projetou neste período um ambiente cultural financiado pelo benefício fiscal e chamou de Lei Sarney.
Foram tempos de grande emoção, instabilidade e muita inflação. Tanta, que a opção pela estabilidade virou uma obstinacão dos brasileiros que passaram a conspirar pelo seu êxito.
Os 90 trouxeram finalmente o presidente eleito, um rebento que não poderia mesmo dar certo pois foi uma obra gerada sob grande ansiedade , o resultado foi um banho de água fria. No entanto, paradoxalmente a agenda brasileira foi radicalmente alterada e o país mudou, o amadorismo foi substituído pelo pragmatismo empresarial e o Consenso de Washington deliberou por toda América Latina e no Brasil em particular. Veio o fim da inflação, moeda firme, privatizações e crescimento do mercado. A burguesia comprou o sonho da globalização financiada pelo câmbio favorável do 1 pra 1. O rock brasileiro foi substituído pelo importado. O país sonhou com sua imagem e saiu atrás dela reconstruindo o cinema nacional.
Na outra ponta, a inclusão e chegada ao mercado de um contingente até então excluído do consumo, de pouco acesso a renda e educação, revelou a face cultural reproduzida nos guetos pobres e de periferia como o axé, o pagode , o sertanejo, e a música do padre, esta resultante do fenômeno da crendice. O teatro não se descobriu e reproduziu a memória estrangeira ou descambou no besterol, a dramaturgia nacional fez reduto na televisão. Na literatura, dependente de educação e sofisticação, nada de importante ou de relevância a não ser o tamanho das livrarias e seus estoques.
O Poder, a Cultura e o Mercado formam o campo de batalha da Nova Cultura que o novo século inaugurou. O Brasil pela sua circunstância e história tem inexoravelmente uma importância crescente no concerto das nações. Para afirmar nossos pontos de vista e participar da competição internacional dependemos da resposta ao que país é esse. É o nosso maior desafio.